segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Menino perdido.

‘’ Essa é a ultima oração pra salvar seu coração’’




Essa é uma historinha de um menino perdido, e não, não estou falando de Peter Pan. Esse menino não tinha a síndrome de não querer crescer, o problema era outro, ele jurava que já tinha se tornado adulto.

Tinha criado um próprio reino, e lá não tinha espaço para o medo, enfrentava seus inimigos para provar que a coragem sempre esteve na ponta da sua espada. Cercava-se por sacos de ouros e usava sua esposa para mostrar que era um grande homem, que da vida ele tinha o melhor. Só que era vazio, completamente vazio e para completar isso inventava historias, era um criador delas. Das mais fantásticas, as mais simples. Todas para impressionar, todas para firmar sua vida falsa e de mentira. Mentirinhas tolas, bobas e que o devoravam.  Diferente de Pinóquio, o nariz não aumentava provando que a verdade estava longe, dessa forma era fácil enganar os tolos que o cercavam.  Para perceber suas mentiras você não precisava ter um pó mágico, bastava apenas ter alguns valores que para ele, pareciam ter se perdidos: Caráter, Amor e Sinceridade. Valores que todos adquirimos no berço, porém que podem ser esquecidos por completo durante o trajeto que escolher seguir.  Ai garotinho, pobre garotinho.
Não sabia que para desejar iluminação e paz para alguém precisava primeiramente ter ciência do que isso se tratava, precisava ter isso dentro dele mesmo para poder transmitir, caso contrario só iria continuar entregando falsas esperanças, falsos sentimentos.
A verdade é que no Reino, algumas pessoas ainda achavam que ele era um Rei, porém os olhares estavam enganados, ele ainda não passava de um bobo da corte. Para fazer as pessoas darem risada o menino perdido precisava acima de tudo saber usar bem as palavras, e isso não podemos negar que ele fazia como ninguém.  Só que palavras, palavras o vento leva como dizia nossa querida Cássia Eller. E no final da noite, o que fica é somente a falta, a falta de amor, a falta de ser alguém que seu herdeiro possa se orgulhar.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Se aventurar.




A cada passo, as tabuas de madeira emitiam um rangido que é como se estivessem tentando contar de cada historia, que tinha percorrido aquele mesmo caminho. O cais de porto naquela manhã estava nebuloso, com uma garoa fina que se mostrava um alerta do mar, dizendo que ele não estava para brincadeira. A garota consultou o relógio no pulso para ter certeza que não estava trocando o dia pela noite, a escuridão era tão visível que ate mesmo os pássaros já tinham ido em busca de seus ninhos. – Vai ter uma tempestade hoje hein? Um dos marinheiros da região parou ao seu lado acompanhando seu olhar vago. Ela queria ter dito que a tempestade já existia há 23 anos dentro dela, e que estava ali justamente em busca do segredo para driblá-la.
Nenhum dos dois desviou o olhar das águas turbulentas do mar, as ondas se quebravam nas pedras e o branco das espumas a fascinava.  Talvez fosse ali que se encontrava o ponto chave, a brancura, que era um contraste de paz em meio a toda aquela agitação das águas negras.
O segredo, o segredo que procurava, era uma palavra com o nome de coragem. Só que afinal, como sair em busca dessa tal coragem, sem um mapa para mostrar o caminho? É uma missão que deve ser feita sozinha? Ela mesma deveria ser a capitã, e os tripulantes do navio?
O rapaz ao seu lado ergueu o que parecia um saco velho e jogou nas costas, colocou um dos mais belos sorrisos em seu rosto e roubou seus pensamentos. – E então, vai querer uma carona? Apontou para um dos barcos ancorados há alguns metros à frente, a garota não devolveu o sorriso.

- Acredito que não é só uma tempestade que vem por ai, é um bom marinheiro para se aventurar nesse mar?
- Por mais que esse barco esteja meio surrado, ele nunca me deixou na mão em águas perigosas. Então, estou preparado menina. A pergunta é:  Você está?



segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Vamos falar de Agosto.

‘’Quero colecionar pessoas, espera. Deixa eu te explicar:
Quero escrever sobre as pessoas que chegaram se apresentaram e roubaram talvez alguns minutos, talvez meu coração.’




Agosto chegou com uma placa que dizia ‘’Problemas aqui’’, e meus caros não era uma simples plaquinha. Sabe aqueles letreiros piscantes com uma luz capaz de cegar seus olhos? Pois bem, não havia como não prestar atenção no alerta. Tinha um sorriso também, claro que tinha. Um sorriso torto que escondia uma criança no canto dos lábios. Um olhar, que ao descer do carro naquela noite não escondia a timidez, e é justamente ali que mora o perigo. Lembro de uma amiga me dizendo ‘’ Ele é parte daquele tipo que não faz absolutamente nada de especial e faz com que você perca o chão’’ Claro que era um perigo, um perigo gigante. Que roubaria minhas séries favoritas, o caminho da minha casa, e minha atenção. Se eu dei permissão? Não, não. 
Não permiti que ele fosse à mudança, a incerteza, o contraditório e a esperança. Foi o ponto chave de um mês que diziam ser do desgosto, foi apenas o riso em uma noite de sábado, o sopro da despreocupação, a história de infância sobre ser como a Polyanna. Não foi nada demais, nada de menos.
Sabe aquele tipo de momento que precisa ser vivido ali, naquele instante? Se deixar para depois, se prolongar pode estragar? Foi essa a historia. Foi pelos sorrisos, as palavras, e os copos vazios que me arrisquei rabiscar algumas paginas desse meu caderno.  E por perceber que ao em vez de ter me desligado, agosto me ligou aos poucos para algo que eu tinha prometido tirar umas férias.



quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Simples assim.


‘’Simples quanto o simples deve ser. Pra algo acontecer, alguém vai ter que vencer.’’






- Eles não percebem, que não é difícil adivinhar o que procura. Você quer o simples!

Essa frase foi dita em um encontro de velhos amigos, de uma alma que me acompanha e me inspira (Obrigada querido Dário!)Não teria explicação melhor para uma busca que parece impossível de chegar ao final. Não fui feita para esperas, na verdade sempre detestei relógios. O único que eu ousei colocar no pulso, foi um presente do meu pai, e tinha um Mickey que apontava para os ponteiros, que cá entre nós sempre me pareceu um bicho de sete cabeças. Nunca usei com o intuito de ver as horas, era apenas o desenho animado da moda que me fazia acordar todas as manhãs e não esquece-lo ao sair de casa.
Com essa minha mania de acelerar o tempo, eu continuo com uma urgência de querer uma coisinha boba ai, algo que só o mundo inteiro busca. 
Não quero um amor que venha de uma forma devastadora, que tenha saído das paginas de um livro do Nicholas Sparks. Não, não! Só que não me importo se o dito cujo gostar de escrever cartas, de que tenha uma toalha quadriculada e me leve para fazer um piquenique. ( Com direito a cestinhas ok?)
Que esqueça os buquês de rosas, os jantares a luz de vela, que segure minha mão e me leve para sentar na areia e deixar que eu sinta o cheiro da maresia. Ao se agarrar aos meus detalhes, vai saber que o oceano faz com que eu me perca, porém vai perceber o momento exato de me trazer de volta. Alguém já dizia que não só a felicidade, mais a magia que precisa para sua vida está no simples. No aprender aquela receita com o brócolis que odeia, somente para arrancar um sorriso de alguém. A vida é simples, milagrosamente simples, é o segredo está justamente nessa palavrinha e no saber apreciar isso. No cheiro do café passado, de grama cortada, dama da noite, bolo de chocolate. Cheiro de vida, de amor, de esperança.







terça-feira, 27 de agosto de 2013

Não guarde!


‘’Não guardo nem dinheiro, vou guardar rancor e mágoas?’’ – Caio Fernando de Abreu





E uma coisa é certa, se existissem vasos pala casa, eles seriam espatifados contra as paredes em uma clássica cena de cinema. Se fosse um filme de romance, encheria a cama com lenços de papeis, me afogado em um pote de sorvete, barras de chocolate e tudo que me rendesse um sentimento de culpa e quilos a mais no dia seguinte. Mulher é dramática né? Drama deveria ser o nome do meio de cada uma.
Não só o sexo feminino que enfrenta um punhado de magoas e decepções. É irônico dizer, por exemplo, para alguém que acabou de ser traída que deve tirar uma lição do ocorrido.  No momento você vai guardar todo o ódio, vai querer esfolar a cara da pessoa em qualquer coisa que tiver ao seu alcance, vai jurar vingança, e olha lá se não quiser amarrar o nome do dito cujo na boca do sapo. (Vem cá, dá certo mesmo? rs) Enfim, a verdade é que não se deve guardar nada. Nada mesmo.
Sentimentos foram feitos para serem mostrados, para serem expulsos de dentro de nós.  Carinho deve ser entregue, amor deve ser compartilhado, raiva deve ser mostrada, sentida, entendida. Não vale mesmo, é guardar algo que tire o brilho dos seus olhos, que envelheça a sua alma, que cubra o bem que resta dentro de ti.
Ou que guarde, guarde por um tempo muito curto, por uma volta até o quarteirão, quem sabe, por um dia? Um minuto? No meu caso, leva algumas semanas, só que posso admitir, tenho trabalhado para durar bem menos.  Parar de afogar certos sentimentos e palavras que querem sair nadando por ai, é a meta.


Não acreditem que guardo mágoas de quem já me entregou sorrisos.  Se guardei, passou tão rápido como os meus 15 anos. A vida voa, o café esfria se não tomado a tempo. Então não se preocupe em guardar as coisas, liberte-as, Viva.

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quinta-feira, 11 de julho de 2013

Se cuida.



''Ter medo de me perder, ainda não é me ganhar''


Me deparei com Carpinejar me descrevendo novamente nessa frase. Meses atrás eu sonhava em ouvir as palavras que encheram meus ouvidos somente agora. Términos de namoro não são fáceis, para nenhuma das partes, independentemente do errado da historia.
Erros nós acompanham no decorrer da vida. Uns são superados, outros continuam ardendo como um corte de papel. A principio parece ser tão delicado, mas trás um desconforto semelhante a qualquer outro corte que possa ser feito com uma faca ou tesoura.
Teve uma época que te desejei o pior. Era um sentimento que vinha do fundo da minha alma, talvez involuntário devido a tudo que aconteceu. Não importava o que me diziam sobre não alimentar isso, pois voltaria para mim. '' Deixa que a vida se encarrega, Fernanda'' minha vó me disse tantas vezes.
Não queria deixar nas mãos do tempo, da vida, ou no que seja. Queria era cuidar de tudo, justiça com as próprias mãos sabe? Deve ser por esse sentimento que me afundava cada vez mais na cama e em lenços de papeis.
Eram os primeiros meses de vida do meu pequeno Rei, tempos que deveriam ser de sorrisos e você conseguiu transforma-los em um buraco negro para mim. Sou eternamente grata pelas pessoas que conseguiram me salvar de dentro dessa escuridão, elas podem confirmar que foi um trabalho árduo. E de qualquer forma, sou grata a você por ter me mostrado a força sem igual que existia dentro de mim. Pena que foi da maneira errada. Obrigada por ter me ensinado que todos passamos pela superação, Obrigada por ter me forçado a conhecer a palavra e o significado do recomeço. E acima de tudo, por ter me libertado para o amor.
Me perguntou alguns dias atrás se deveria esquecer a nossa historia, volto a dizer : Não esqueça, guarde-a. E se permita viver uma nova historia, com uma nova pessoa.

Cuidei de mim como o recado que me deu quando olhou nos meus olhos e disse '' Se cuida, por favor''
Me cuido! me refiz, me amei. Faça o mesmo e a felicidade á de chegar.


Se cuida...

terça-feira, 18 de junho de 2013

Urgência!



Esmeralda! Diz ai nessas cartas que dessa vez vai dar certo!  - Cruzei os dedos, rezou para todos os santos para que o destino finalmente tivesse trazendo um bocadinho de sorte no amor!  - Xiiiiiiii! Não gostei desse som, tem muita i ai nessa palavra. A cartomante já tão conhecida me olhou nos olhos, segurando as minhas mãos. Pronto! Não é que até as cartas estavam dizendo justamente o que eu não queria ouvir? – Só que tem uma boa noticia minha filha, o amor vai chegar sim. Só vai demorar uns 5 anos.
Calma aê, meu povo! 5 anos? Sinto muito Esmeralda, esse homem da minha vida vai ter que dar um jeito de me encontrar logo. Pega um avião, um jumento. Parcela a viagem em 24x no cartão. Mas que venha depressa!
Já treinei paciência, virei melhor amiga do Sr. Tempo. Cansei de infinitas esperas. De copos vazios e braços faltando nos finais da noite.
Quero alguém que não reclame da minha mania de riscar o fósforo e devolve-lo para a caixinha. Alguém que me traga um foco e me lembre que posso enroscar a saia no final de uma escada rolante se não prestar atenção. Que não se importe com a minha irritação em dias de chuva. Alguém que troque de bom grado uma festa por meu colo e um livro. Que saiba fazer café e brigue comigo pela manhã por nunca aprender a quantidade certa de água.


Não demore, meu amor. Não demore.